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Biografia

Mequinho x Gilberto Milos (Amistoso) Nascido em 23 de janeiro de 1952, na cidade de Santa Cruz do Sul - RS, Henrique Costa Mecking, carinhosamente conhecido como Mequinho, aprendeu a movimentar as peças de xadrez aos 5 anos, sob orientação de sua mãe, Maria José Costa Mecking.
Logo após, em São Lourenço do Sul, teve o seu primeiro professor, o delegado de polícia João Manoel Barreto.
Foi vice-campeão de Pelotas aos 9 anos, atrás apenas de Carlos Rodrigues Peixoto, tri-campeão gaúcho e vice-campeão brasileiro.
Aos 12 anos, venceu o campeonato pelotense (1964) e o campeonato gaúcho (1965). Foi Campeão Brasileiro em 1965 e 1967 (as 2 únicas vezes em que disputou) e Sul-Americano em 1966. Em 1973, venceu o Torneio Interzonal de Petrópolis, extraordinário feito que realizaria novamente, vencendo o Torneio Interzonal de Manila (Filipinas) em 1976.
Participou dos Torneios Interzonais em 1967 (Sousse, Tunísia), 1970 (Palma de Mallorca, Espanha) e 1979 (Rio de Janeiro). Venceu os Torneios Interzonais em Bogotá, Colômbia e Vrsac, Iugoslávia (1971 - à frente de Porthish, com 8 vitórias e 7 empates). Representou o Brasil nas Olimpíadas de 1968 (Lugano) e 1974 (Nice). Em 1978 atingiu a inacreditável posição de 3º enxadrista do planeta, com um rating de 2635 pontos. Foram escritas duas biografias sobre ele: "Henrique Mecking: Latin Chess Genius" (Henrique Mecking: Gênio Latino do Xadrez - 1995) de Stephen W. Gordon e "Mequinho, o perfil de um gênio" (1983), de Rubens Alberto Filguth, contendo 90 páginas, várias entrevistas, tabelas da maioria dos torneios em que participou, além de fotos.
Atualmente, Mequinho possui 2565 pontos na lista de Rating FIDE, sendo um Grande Mestre Internacional (GMI).
As Conquistas de Mequinho
  • Campeão de Pelotas - 1964
  • Campeão Gaúcho - 1965 (12 anos)
  • Campeão Brasileiro - 1965 e 1967 (As duas únicas vezes em que disputou.)
  • Campeão Sul-Americano - 1966 e 1972
  • 3º lugar no ranking mundial - 1978 (Atrás apenas de Anatoli Karpov e Victor Korchnoi.)
Veja o filme sobre a vida de MequinhoMequinho
Mini-DV, 2004, p&b, 10 min.

Documentário sobre Henrique Mecking, o maior jogador de xadrez da história do Brasil. Direção: Felipe Nepomuceno. Fotografia e Câmera: Roberta Bueno. Som: Marcos Rogozinski. Montagem e Edição de Som: Pedro Asbeg e Felipe Nepomuceno. Música: George Harrison. Produtora: Raça Filmes. Contato: Felipe Nepomuceno, (21) 22948922, racafilmes@openlink.com.br
Enxadrista Vive em Casa Simples em Taubaté(Jornal Vale Paraibano - 27.08.2000)
Radicado em Taubaté desde 88, o gaúcho Henrique Costa Mecking vive em um microcosmo espiritual e particular. Isolado de tudo e de todos, sua rotina resume-se em ir à igreja e estudar as aberturas do xadrez.
O grande mestre fica sabendo das notícias por meio de conversas com os frequentadores do movimento Renovação Carismática.
"Mas não preciso disso. Minha vida é um mar de rosas e estou bem somente com o essencial."
Mesmo vivendo uma rotina franciscana, Mequinho é vaidoso. Antes de conceder esta entrevista, pediu ao repórter fotográfico Luciano Coca, do Vale-Paraibano, que esperasse ele fazer a barba para só depois tirar as fotos que ilustram a matéria.
"O dia foi uma correria e não deu tempo para me barbear", justificou.

  • Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida pelo enxadrista à reportagem do Vale Paraibano.

    VP - Quais os fatores que motivaram seu retorno às competições?
    Mequinho - Todas as decisões da minha vida são colocadas diante de Deus. Quando quer, Ele me dá uma resposta. Há três anos, os diretores do Centro Empresarial de São Paulo (que promoveu o Match Desafio) chegaram em casa e pediram para eu jogar uma simultânea. Eu disse não. Sabia que a resposta era não. Só agora é que a resposta foi sim.
    VP - E por que demorou três anos para mudar essa resposta?
    Mequinho - Me parece que foi por causa da proximidade do final dos tempos, que acontecerá no dia 31 de dezembro.
    VP - Não é estranho Deus dar um sinal positivo (sobre a volta) e o senhor ser derrotado logo na reestréia?
    Mequinho - Não tive tempo para estudar todas as aberturas com profundidade. há cinco anos não jogava nenhuma partida, eu sabia desse perigo. Mas tive que aceitar.
    VP - Até onde o senhor pretende chegar com o xadrez?
    Mequinho - Quero sensibilizar as pessoas. Por isso gostaria de ter ganho o Match contra o Vescovi, mas o objetivo não foi cumprido 100%. Quero jogar tão bem, que todos vejam que Jesus faz maravilhas através de mim. Não adianta eu começar a perguntar porque vão dizer: "Pôxa, esse cara fala tanto em Deus e só perde". Eu não penso assim, mas pode ser que os pagãos pensem.
    VP - Qual o segredo para voltar a ser um dos melhores do mundo?
    Mequinho - Primeiro tenho que cobrir todas as aberturas, isso vai durar uns dois meses. Agora que tenho computador posso jogar com outros adversários e voltar a ser fluente.
    VP - Em 87, o senhor tentou ser padre e não conseguiu. Como foi?
    Mequinho - Fiz teologia e filosofia. Por razões opostas a minha vontade eu não consegui ser padre na Diocese de Taubaté. O bispo teria que aceitar, mas antes isso é submetido a um conselho de vários padres e se algum tiver algo contra fica difícil.
    VP - Qual foi então o motivo que atrapalhou seus planos?
    Mequinho - Eu sigo rigorosamente a linha do Papa. Infelismente nem todos são assim.
    VP - O senhor guarda alguma mágoa?
    Mequinho - Não, eu poderia tentar em outra cidade. Como eu sei que a vinda de Cristo será em breve, se eu fosse ser padre teria que ficar um ano sendo examinado e não daria tempo. Por isso é que a resposta para eu voltar a jogar foi positiva.
    VP - E como andam os convites para participar de torneios e competições?
    Mequinho - Se eu quiser, posso jogar torneios em Portugal, Cuba, São Paulo e Porto Alegre. Estou pensando. Atualmente negocio uma participação em São José do Rio Preto. As outras vou tratar em breve.
    VP - O que o senhor gostaria de pedir aos leitores?
    Mequinho - Que rezem muito por mim e pelo bem do Brasil.
  • Cada Dia de Mequinho, para Deus e o Xadrez(Jornal da Tarde - 14.06.2000)
    Aos 48 anos, o enxadrista estuda todos os dias e aguarda com ansiedade o match marcado para agosto, quando enfrentará Giovanni Vescovi, 22, atual campeão brasileiro.
    Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, o maior enxadrista que o Brasil já teve, só tem percepção para duas coisas: Deus e seu velho tabuleiro. Recuperado de uma devastadora miastenia, doença que ataca os músculos, Mequinho quer voltar a ser aquele gênio que esteve próximo de disputar o título mundial na década de 70. Aos 48 anos, tem um match marcado para agosto contra outro gaúcho: Giovanni Vecovi, 22, atual campeão brasileiro.
    Mequinho fala como se fosse enfrentar Bobby Fischer ou Gary Kasparov. Sem disputar um match internacional desde 1995, parece uma criança em início de carreira - uma criança que usa o Senhor para justificar todas as suas atitudes e não faz nada sem consultá-lo. De calça bege, meias cinza, sapatos marrom e camisa xadrez, essa fonte inesgotável de simplicidade recebeu o JT (Jornal da Tarde) em sua casa, em Taubaté.
    Na garagem, um Fusca branco ano 80. Nas paredes, só crucifixos e imagens de Jesus e Maria. No escritório, o computador recém-adquirido (e com o qual não tem a menor familiaridade), os peões (com os quais tenta se familiarizar novamente) e uma infinidade de livros de xadrez e religião (tem infinita devoção pela Renovação Carismática Católica, a mesma do padre Marcelo Rossi). No toca-fitas, só um cassete em que ele mesmo reza o terço. Na cozinha, 11 pacotes de aveia numerados e outros de arroz integral, no chão (não há prateleiras).

    JT - Você está pronto para o match com o Vescovi?
    Mequinho - Não. Quero aproveitar os quase dois meses que faltam para me preparar da melhor forma possível. Estou há cinco anos sem nem ver xadrez. Então, tenho que aproveitar cada dia, cada hora.
    JT - Nesses últimos cinco anos, você não jogou com ninguém?
    Praticamente, não. Só quando eu ia a Pelotas, no Rio Grande do Sul. Jogava algumas partidas com meu cunhado, que gosta muito de xadrez, e com o computador.
    JT - Por que você parou?
    Porque eu queria ser padre ou pelo menos ficar só rezando.
    JT - E por que você voltou?
    Jesus me deu sinal verde.
    JT - Como é seu treinamento?
    Eu rezo bastante, vou à missa todos os dias. O tempo que sobra, dedico todo ao xadrez.
    JT - Mas como é o treino?
    Com livros, enciclopédias... E às vezes jogo um pouquinho com o computador. Eu tenho de ver as partidas, as anãlises, lembrar...
    JT - Como está seu relacionamento com o computador? É uma coisa recente para você, não?
    Não jogo tão bemquanto no tabuleiro, porque me atrapalho.
    JT - Como?
    É diferente. É na vertical. No tabuleiro é na horizontal. Tem de pegar o mouse, pegar o peãozinho, jogar o peãozinho.
    JT - Informática não é sua especialidade?
    Não. (Antes de começar a entrevista, Mequinho pede para checar se tinha recebido e-mail de um amigo seu, pois não sabe como fazê-lo)
    JT - Quantas horas você dorme por dia?
    Cinco horas e meia. Mas agora, como está frio, fico mais tempo na cama, rezando um terço, bem agasalhado. Depois eu levanto, faço mais uma oração aqui em casa, na cruz...(tem uma cruz luminosa azul e branca, de 76,80 centímetros). Três vezes por semana eu corro e três, levanto peso. O sétimo é livre.
    JT - Como é sua alimentação?
    Natural, então é exelente. Como arroz integral, vegetais... A única coisa animal é leite B, para 'fazer aveia'.
    JT - Mingau?
    É delicioso. Mas aveia natural, com uma pitadinha de sal natural.
    JT - O que você bebe?
    Só água mineral sem gás.
    JT - Você já se sente competitivo?
    (Mequinho se agita com a pergunta, levanta e começa a gesticular)
    Tenho muita esperança de que jogar muito, muito, muito, muito, muito bem, de forma que as pessoas fiquem maravilhadas. Eu tenho a força enxadrística.
    JT - Por que você vive sozinho?
    Porque minha família mora no rio Grande do Sul.
    JT - Aos 30 anos, você disse que tinha parado de ter relações sexuais para seguir os dogmas da religião (fica boquiaberto). Agora que o projeto de ser padre não se concretizou, você está liberado para namorar?
    Uma pessoa solteira que faz sexo é pecado grave.
    JT - Você se casaria?
    Não. Minha cabeça não funciona como a sua. Para mim, Jesus vem até o fim deste ano. então, não há tempo nem para ser padre, nem para me casar.
    JT - E o que vai acontecer?
    O mundo vai ser parecido com o que era o paraíso terrestre. Não vai mais haver pecado.
    JT - Como está sua situação financeira?
    Estou bem. Gasto pouco. Só vou à igreja, corro na rua... Gasto com empregada, alimentação...
    JT - Sua casa é supersimples.
    Nem televisão eu tenho.
    JT - Você não tem vaidades na mobília. Mas fisicamente parece ter, quando diz que pediu a Deus para tirar 15 anos da sua velhice. Você é vaidoso?
    Não. Se eu tiver 15 anos a menos, posso correr melhor, jogar xadrez melhor...
    JT - Você está totalmente recuperado da doença?
    Não, mas estou bem.
    JT - Que resquícios você sente?
    Eu sou frágil. Coisas assim acontecem (mostra um corte no dedo). Tenho de escovar os dentes com água morna (ele esquenta no fogão porque não tem aquecimento em casa), não posso tomar muito frio, tomo remédios homeopáticos.
    JT - Quem são seus ídolos?
    O (Bobby) Fischer, o (Anatoly) Karpov e o (Gary) Kasparov talvez sejam os três melhores de todos os tempos, mas o estilo deles, em muitas coisas, assemelha-se ao meu.
    O Enxadrista de Deus(Época Online - 15.08.2000)
    Mequinho, ídolo do xadrez nos anos 70, retoma a carreira e diz que quer se tornar um santo católico
    Está temporariamente vazia a casa número 66 da Rua Mato Grosso, num bairro de classe média em Taubaté, interior paulista. O morador, um homem franzino e solitário, viajou por duas semanas, raro evento em sua rotina. Poucos por ali sabem que ele foi o maior enxadrista do Brasil: Henrique Costa Mecking, o Mequinho. Aos 48 anos de idade, é conhecido na vizinhança como um católico fervoroso, que carrega sempre um terço e não perde missa na Paróquia de Santa Teresinha.

    Desde a semana passada, disputa na capital paulista uma série de seis partidas com o campeão brasileiro de xadrez, Giovanni Portilho Vescovi, de 22 anos. Nos últimos tempos, participou de jogos de exibição, mas é a primeira vez que entra numa competição. O desafio termina nesta semana. Se ganhar, receberá o prêmio de R$ 7 mil. “Quero voltar a ser um dos maiores do mundo”, diz Mequinho. “Ele ainda é o grande ídolo”, atesta Vescovi.

    No início dos anos 70, Mequinho dividia espaço com Pelé e Emerson Fittipaldi no Olimpo do esporte nacional. Ao contrário dos dois, mergulhou no esquecimento. Por um longo período, foi acometido por uma doença, a miastenia, que paralisa os músculos. Guarda na memória as dores terríveis que sentia. “Não tinha força para levantar da cama, achei que fosse morrer”, diz. Encontrou conforto na religião. Desde 1997 não tem crises da doença, que controla com homeopatia. Seguidor do movimento católico Renovação Carismática, atribui o atual estado de saúde a um milagre de Cristo.

    Imerso num universo místico particular, o enxadrista se diz portador de revelações teológicas. Afirma que a volta aos tabuleiros está relacionada à revelação do Terceiro Segredo de Fátima, a mensagem apocalíptica que a Virgem Maria confiou a três crianças portuguesas. Acredita que Cristo voltará à Terra ainda neste ano. E considera-se purificado pelo sofrimento. “Quero entrar no céu como santo”, diz. “As perseguições que sofri e as dores da doença são sinais de que poderei ser santo depois de morrer”, afirma convicto. Sente-se discriminado pela Igreja. Queria ser padre. Nos anos 90, mudou-se para Taubaté e fez seminário, mas diz que foi rejeitado na hora da ordenação.

    Ele acorda às 6h30 da manhã e ajoelha-se diante de uma imagem de Nossa Senhora de Medjugorje. Faz exercícios físicos todos os dias. Não tem emprego. Mantém-se com os dividendos de uma herança. Gasta cerca de R$ 600 por mês, incluindo a comida e o salário da empregada. O carro na garagem é um fusca branco, ano 1980.

    Nascido na cidade gaúcha de São Lourenço do Sul, tornou-se celebridade nacional em 1971, quando tinha 19 anos de idade. Venceu competições internacionais que o alçaram ao terceiro lugar do ranking mundial do esporte. À frente, havia apenas os russos Anatoli Karpov e Victor Korchnoi. Foi o primeiro enxadrista do país a obter o título de grande mestre internacional. O Brasil comemorou. Na volta de um dos torneios, Mequinho foi recepcionado no Rio de Janeiro pela bateria da Escola de Samba Mangueira. Em Brasília, o general-presidente Emílio Garrastazu Médici recebeu-o no Palácio do Planalto. “Pedi um emprego para o presidente e ele arrumou”, relembra. Virou assessor do governo. Não cumpria expediente na burocracia. Apenas treinava xadrez. “Era o que eu sabia fazer”, diz. Teve uma decepção em 1974. Foi derrotado por Victor Korchnoi e perdeu a chance de disputar com Anatoli Karpov a liderança. O grande revés veio em 1977, com a eclosão da miastenia.

    De volta ao esporte, quer reviver os dias de ouro em que inspirou Raul Seixas e Paulo Coelho na canção "Super-Heróis": Quem é que no Brasil não reconhece o grande trunfo do xadrez/Sai pela tangente disfarçando uma possível estupidez/Corri para um cantinho para dali sacar o lance de mansinho/Adivinha quem era? Mequinho.

    Décio Viotto

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